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Em seção delgada, observa-se uma rocha de composição granítica (quartzo >20%), leucocrática (máficos ~5%), deformada, protomilonitizada.
Os félsicos constituem 95% do volume modal da lâmina, assim distribuídos: plagioclásio (30%), k-feldspato (30%) e quartzo (35%). Formam uma matriz rochosa granítica, deformada, com milonitização incipiente (protomilonitização).
Os máficos constituem 5% da moda assim distribuídos: anfibólio (04%), titanita (0,3%), alanita (0,2%), opacos (0,3%), e os acessórios: apatita, zircão e epidoto, em proporções traço (< 0,1% cada).
Esta mineralogia (k-feldspato + plagioclásio + quartzo +-anfibólio+- piroxênio (hedenbergita)+- acessórios, sem biotita) é compatível com o tipo moderna definido por Santos (1971, 1977), além do fato de ser uma rocha cataclastica (na verdade milonítica), associada a uma grande zona de cisalhamento.
Por outro lado, os granitóides tipo moderna estudados por Santos (1977) são sienitóides e quartzo-sienitóides (de 11 amostras, apenas 1 é de fato granitóide (quartzo >20%), as demais são subsaturadas com relação a silica). Esta rocha CA-756 é granítica (qz >20%), por sinal rica em quartzo (qz ~ 35%).
Além disto, os ditos "granitóides" tipo moderna são supostamente alcalinos a peralcalinos, o que mais uma vez não é o caso: a amostra CA-756 não é peralcalina (não apresenta piroxênios ou anfibólios alcalinos, como erigina-augita, riebeckita, arfvesonita), sendo talvez suavemente alcalina (talvez, porque neste caso na ausência de minerais diagnósticos o caráter alcalino apenas pode ser detectado por análises químicas).
Conclusão: Pode ser que a amostra CA-756 tenha "afinidade" com os granitóides tipo moderna, mas não são "tipo moderna" típicos e muito menos peralcalinos.
Voltando à descrição petrográfica: trata-se de um granito leucocrático deformado e protomilonitizado, com 5-10% de matriz milonítica, quase brechóide (esta amostra CA-756 está menos deformada que a amostra CA-746, sendo todavia semelhante petrograficamente a esta).
Os feldspatos (plagioclásio e k-feldspato) apresentam-se ambos tipos como cristais alongados e deformados, e orientados segundo a foliação protomilonítica, apresentam tamanhos subcentimétricos a centimétricos (1-2 cm) e extinção ondulante.
Quartzo apresenta como cristais alongados, fraturados e deformados, subcentimétricos, também como faixas recristalizadas, orientadas conforme a foliação protomilonítica, de cristais anedrais milimétricos, com contatos cristalinos suturados e extinção ondulante. E, por fim, também como faixas trituradas, configurando a textura protomilonítica.
Anfibólio é o máfico dominante (4% da moda), ocorrendo como cristais prismáticos subcentimétricos a centimétricos (1-2 cm), exibindo forte pleocroísmo variando de verde-claro amarelado a verde escuro azulado (sugerindo um anfibólio de grupo das hornblendas com alguma alcalinidade). Contém variadas inclusões dos outros máficos (opacos, titanita, alanita, apatita, zircão). Estão relativamente alterados.
Alanitas são euédricas, algumas vezes metamictizadas, milimétricas a submilimétricas.
Titanitas são euédricas, milimétricas a submilimétricas. Opacos são euédricos a subédricos, submilimétricos, inclusos nos anfibólios. Zircões são euédricos, submilimétricos, alguns zonados. Apatitas são euédricas, submilimétricas.
Alguns cristais de anfibólio exibem geminação simples, outros geminação lamelar.
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