| notas |
Rocha com textura cumulática reliquiar, de grão fino, com tamanho inferior a 1,0 mm, com a presença de textura mesh reliquiar, onde os cristais originais, fraturados e globulares de olivina foram completamente substituídos por opacos, serpentina e clorita magnesiana em um processo intenso de serpentinização com a evolução da textura mesh para a curtain, e os núcleos de olivina foram completamente consumidos por serpentina. Em menor proporção, encontram-se relictos de cristais primáticos, substituídos por clinoanfibólio magnesiano, classificado de cumingtonita, possivelmente formados a partir da transformação de piroxênios primários.
A serpentina é o mineral dominante na rocha, ocorre incolor, por vezes turva, tingida pelos hidróxidos ferro. Mostra birrefringência baixa, com cores cinza de primeira ordem, típicas do mineral. Predominam as formas fibrosas, com textura curtain e hourglass, mas também estão presentes as formas maciças. Possivelmente ocorrem as variedades lizardita, crisotilo e antigoria porém, conforme recomendam Wicks, Whittaer e Zussman (1977), na ausência de análise detalhada, deve-se recorrer a nome menos específicos, denominando o mineral de forma genérica como serpentina, já que as propriedades óticas não permitem a distinção para as espécies do grupo.
O clinoanfibólio é incolor, apresenta duas séries de clivagem a 120º na seção basal e uma série de clivagem na seção lateral, é incolor e límpido, apresenta birrefringência baixa, com cores amarelo de 1ª ordem e extinção oblíqua próxima de 15º, permitindo a classificação do mineral como cumingtonita. Possivelmente resulta da transformação de piroxênios pobres em cálcio, típicos de rochas ultrabásicas, e caracterizam um grau médio de metamorfismo regional, compatível com o fácies anfibolito.
A clorita é subordinada, ocorre incolor, têm extremamente grão fino, com diâmetro inferior a 0,2 mm, ocorre na forma de lamelas associada a serpentina, com birrefringência baixa e extinção reta. De forma semelhante foram observadas raras lamelas de talco, que é incolor, com birrefringência alta, extinção reta em arranjos radiados.
Os minerais opacos são abundantes, estão intimamente associados a serpentina, com a qual podem formar minerais mistos como a idingsita, como sugerem as manchas avermelhadas presentes na rocha.
A paragênese observada de: serpentina + clorita + cumingtonita + talco indica um protólito ultramáfico com metamorfismo na fácies anfibolito.
|